terça-feira, 28 de novembro de 2017

Descobrir-se


Muitas vezes me perguntam sobre qual seria o momento certo para procurar um psicólogo. Nessas conversas, em sua maioria informais, busco entender qual a concepção que as pessoas têm do profissional de Psicologia. Você deve imaginar que já me deram diversas definições da minha profissão: para uns o psicólogo é um ouvinte que serve para que seus pacientes possam desabafar e se sentir mais leves; para outros o psicólogo é uma espécie de mago, que tem a receita mágica para a solução de todos os problemas; outros ainda vêem o psicólogo como um grande amigo para quem é possível contar coisas que não se tem coragem de contar para mais ninguém.

Na verdade, o psicólogo não é apenas ouvinte, nem um mago ou amigo. O psicólogo é um profissional dedicado ao estudo e aplicação de uma ciência - a Psicologia - frente às mais diversas demandas que possam surgir. A minha prática profissional, a Psicologia Clínica, é uma das diversas áreas de atuação profissional do psicólogo. Nós, psicólogos clínicos, recebemos as pessoas em nossos consultórios para prestar um serviço profissional diante daquilo que a pessoa deseja trabalhar, oportunizando sempre uma reflexão sobre sua realidade, ampliando sua visão sobre as circusntâncias e sobre si mesma. Ou seja, ajudamos aqueles que nos procuram a descobrir-se e a reordenar suas vidas.

Assim, o momento ideal para procurar um psicólogo não deve ser necessariamente numa ocasião de dificuldade ou de crise. É claro que uma ajuda profissional cairia muito bem nessas situações. Mas o simples fato da pessoa desejar conhecer-se melhor, oportunizando uma ressignificação da sua história já é um grande motivo para recorrer aos serviços profissionais do psicólogo. Acredito muito na capacidade da minha profissão em despertar reflexões valiosas e necessárias, e isso faz do psicólogo um agente importante na promoção do bem estar das pessoas.

Gabriela Neves

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Resiliência e ressignificação da vida


Resiliência é um termo originalmente utilizado na Física, que significa a capacidade de um objeto readiquirir suas propriedades após sofrer alteração em suas características pela ação de um agente externo. Assim, por exemplo, após uma mola sofrer pressão por uma força aplicada sobre ela, rapidamente volta às suas características inciais, então dizemos que a mola é um objeto que possui alta resiliência. A Psicologia faz uso desse conceito para definir a resistência de uma pessoa frente a uma situação adversa, bem como a capacidade de manter-se íntegro no sofrimento e renascer após os momentos difíceis.

O que dá subsídio à capacidade da pessoa desenvolver resiliência é o sentido que ela atribui à própria vida. Ter a vida plena de sentido, com os fatos ressignificados ao redor desses sentidos, produz na pessoa uma habilidade de lidar de forma satisfatória com as situações complicadas. Isso porque uma vida cheia de sentido é capaz de tornar o sofrimento o que ele verdadeiramente é: uma situação a ser superada e provocadora de maturidade; e não um monstro gigante intransponível.

O fato é que o resiliente enfrenta o que precisa ser enfrentado e, após esse período, ressurge mais forte, maduro e inteiro. Não se permite a lamentar indefinidamente a respeito de seus desafios, mas oportuniza, por meio deles, seu crescimento pessoal. São pessoas realmente interessantes, que fazem um grande bem não somente a elas mesmas, mas inspiram todos aqueles ao seu redor. Resiliência não é uma caracterísca que se tem ou não, mas uma atitude possível de ser desenvolvida; basta disposição e coragem de enfrentar-se.

E você, é uma pessoa resiliente?

Gabriela Neves

terça-feira, 14 de novembro de 2017

O sofrimento pode ter sentido na minha vida?


Todos nós somos desafiados pelos momentos de sofrimento. Pode-se dizer que essa é uma das grandes certezas da vida: iremos passar pelo crivo do sofrimento em em alguma ocasião. Viver essa experiência nem sempre será algo pacífico, algumas vezes podemos nos sentir perturbados ou inseguros quando algo não vai bem. Mas também podemos ter um olhar renovado sobre o sofrimento e enxergar nele uma oportunidade. Tudo vai depender da forma que pensamos a respeito do sofrimento e do proveito que conseguimos tirar dessas situações.

Viktor Frankl, um grande teórico da Psicologia, afirma: “quando não é mais possível moldar o destino, então se faz necessário ir ao encontro deste destino com a atitude certa” (O sofrimento de uma vida sem sentido: caminhos para encontrar a razão de viver). Podemos entender o que Frankl quer dizer a partir de uma visão positiva do sofrimento. Quando o sofrimento é inevitável, ou quando “não é mais possível moldar o destino”, cabe a nós abraçá-lo e responder a ele com uma atitude adequada. Em outras palavras, frente à uma situação difícil que não pode ser modificada, é possível escolher como vamos enfrentar esse desafio, e optar por uma atitude equilibrada trará grandes frutos para cada um de nós.

Nossa reação mais fácil perante o sofrimento é a fuga. Logo pensamos em como podemos nos livrar daquilo que nos perturba e tentamos fazer com que isso aconteça a qualquer custo. Essa forma de reagir é natural e justa; se algo não vai bem é sinal de equilíbrio tentar reverter a situação. Porém, nem sempre isso será possível. O grande risco é de que, ao deparar-se com um sofrimento inevitável, cresça em nós a revolta ou a desmotivação, e isso de fato não contribui. Seria muito mais proveitoso se, ao invés disso, pudéssemos buscar compreender como passar por aquele sofrimento de maneira íntegra, sensata e cheia de sentido. Certamente, nos tornaríamos pessoas melhores e seríamos capazes de iluminar também aqueles que estão ao nosso redor.

Gabriela Neves

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Atribuir sentido à vida


Chegamos ao nosso último texto do ciclo de reflexões sobre as atitudes que contribuem para ressignificar a vida, e nele iremos falar sobre a importância de atribuir sentido à própria existência. Isso implica numa disposição pessoal de enxergar os fatos além do que eles parecem ser; é permitir-se olhar a fundo os acontecimentos e as próprias escolhas para encontrar razão de viver e de buscar a felicidade.

Uma vida plena de sentido é uma vida verdadeiramente feliz. Muitas vezes, as pessoas buscam a felicidade em muitos lugares que não oferecem nada além de ilusão e não percebem que encontram apenas um alívio passageiro de suas dores. O grande engano é que acabam acreditando que esse alívio é o que faz com que sejam felizes. Nada pode produzir em nós a felicidade a não ser encontrar o sentido de nossa vida. Quem passa por essa experiência, sente-se pleno mesmo nas situações mais adversas e ameaçadoras, porque encontrou em si algo que tem dimensão muito maior que os sofrimentos que porventura venha a enfrentar.

Somente a própria pessoa é capaz de atribuir sentido à sua vida. Às vezes, é possível contar com a ajuda de alguém próximo, ou até mesmo de um profissional, para sermos auxiliados a resgatar o sentido da vida, mas jamais alguém pode impô-lo. Trata-se de uma escolha livre, pessoal e particular; cada um elege o que dará sentido à sua existência, e a partir daí sua vida irá girar em torno desse sentido. Por isso é importante fazer escolhas acertadas e amadurecidas, pois depositar o sentido da própria vida em castelos de areia seria uma verdadeira fatalidade. Por outro lado, ter como sentido de sua vida algo sólido e forte faz com que sejamos capazes de permanecer íntegros mesmo nas piores circunstâncias. E você, consegue dizer qual o sentido da sua vida hoje?

Gabriela Neves

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Abrir-se ao outro


No processo de ressignificação da vida, um dos grandes ganhos que se pode alcançar, é enxergar que todos nós estamos de alguma maneira interligados. Assim como perceber que cada pessoa se constitui como tal na relação com outros sujeitos, ao mesmo tempo em que também participa ativamente da história de vida de tantos outros. Essa é uma realidade incontestável da nossa condição humana: somos seres sociais. E por isso o outro sempre fará parte da existência de cada um de nós. O grande desafio é fazer com que esse convívio se torne positivo e favorável ao próprio processo.

Algumas pessoas mantém a crença ilusória de que é possível viver à margem das relações. Essas pessoas enaltecem um estilo de vida solitário e fundamentam essa escolha a partir da concepção de que as pessoas são más e traiçoeiras. Essa atitude nos leva a questionar as verdadeiras razões desse tipo de pensamento: de fato as pessoas são essencialmente perversas ou existem feridas provocadas especificamente por alguém que marcou em profundidade a história de vida? Honestamente, acreditamos na segunda opção. A questão é que fechar-se para as outras pessoas provoca grande sofrimento para si mesmo e essa proteção de si na verdade não acontece.

É preciso que se tenha abertura para o outro no processo de ressignificação da vida, pois é no convívio com ele que novas experiências são possíveis. As relações, quando bem construídas, têm muito a colaborar com o processo de tornar-se pessoa de cada um: a troca de experiências amplia nossa visão da vida e isso nos faz mais sensíveis ao que está ao nosso redor, o que é próprio do humano. Isso quer dizer que abri-se ao outro faz de cada um de nós mais gente. E não há quem possa esquivar-se dessa realidade.

Gabriela Neves

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Administrar os próprios sentimentos


Os sentimentos são uma área misteriosa e enigmática para muitas pessoas. É difícil compreendê-los e, por isso mesmo, lidar de maneira razoável com o que sente é um verdadeiro desafio para cada um de nós. Muitas vezes é mais fácil escondê-los, ignorá-los ou até mesmo mascará-los. Deparar-se com o que verdadeiramente se sente é trabalhoso, mas ajuda a ter uma visão mais clara de si mesmo e da realidade como um todo.

É muito comum ouvir as pessoas dizendo por aí: “sentimento não se controla”, “o sentimento é o que manda” ou “sentimento é terra de ninguém”. O problema de afirmações como essas é que atribuem aos sentimentos um caráter quase que tirano, como se nada pudesse ser feito frente a eles, restando a nós apenas viver de acordo com o vai e vem das emoções. Cada dia mais esse tipo de mentalidade vai se expandindo entre as pessoas e, como consequência, temos acompanhado o emergir de toda uma sociedade imatura afetivamente e incapaz de administrar aquilo que sente.

Podemos administrar os sentimentos! Isso quer dizer que somos capazes de aprender a lidar com eles. É verdade que na maioria das vezes não escolhemos quais sentimentos devem surgir em cada ocasião, muitas vezes eles apenas aparecem como reação a determinado acontecimento. Porém, isso não quer dizer que minhas atitudes devem sempre obedecer aos meus sentimentos. É importante ver-se livre para escolher como agir, mesmo tendo sentimentos contrários ou conflitantes. Isso é ver-se capaz de administrar os próprios sentimentos.

Assim, não é porque estou com raiva que necesariamente tenho que me envolver numa discussão, ou porque tenho medo que tenho que me acovardar. Posso escolher adotar uma atitude pacífica apesar da minha raiva, bem como posso enfrentar corajosamente aquilo que me amedronta ou paralisa. Os sentimentos não podem ser ditadores das minhas ações, mas antes é preciso que eu saiba dialogar com eles para meu próprio bem e para o bem daqueles que estão ao meu redor.

Gabriela Neves

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Perdoar a quem me feriu


No texto da semana passada, falamos sobre a dificuldade de perdoar a si mesmo, o que tem gerado grande sofrimento para muitas pessoas. Hoje vamos refletir sobre a necessidade de perdoar as pessoas que marcaram negativamente nossa história, o que é igualmente árduo ou até mesmo mais desafiador que perdoar a si próprio.

É desafiador porque, para a maioria das pessoas, a reação mais natural ao ser ferido por alguém é alimentar raiva, rancor, chegando até mesmo ao ponto de calcular alguma vingança contra aquele que foi a causa da dor que se sente. O problema é que ao agir dessa forma, a pessoa não percebe que o grande prejudicado em meio a esse turbilhão emocional é ela mesma. Essa pessoa parece criar a ilusão de que está “castigando”o outro ao negar-lhe o perdão e que permanecer nessa postura, de alguma maneira, faz com que o outro também caia em sofrimento, o que não corresponde à realidade. A verdade é que ela causa sofrimento a ela mesma toda vez que se nega a perdoar, o que acaba virando um grande “tiro no próprio pé”, como se diz por aí.

Não estamos aqui dizendo que perdoar é um ato egoísta. É claro que também traz uma leveza à pessoa a quem foi concedido o perdão. E essa experiência de fazer o bem a quem se tem mágoas e ressentimentos nos traz amadurecimento e crescimento enquanto pessoa humana; pois “pagar na mesma moeda”é atitude própria dos infantilizados. O fato é que o perdão liberta. Liberta a todos envolvidos na situação desastrosa que gerou feridas. Dar e pedir perdão pode até ser um processo difícil, mas sem essa experiência não há como ressignificar a vida e ser feliz.

Gabriela Neves

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Perdoar-se é uma arte


Se existe algo que muitas vezes é muito difícil no processo de ressignificação da vida é saber lidar com os momentos de falha pessoal, quando fizemos escolhas que não contribuíram em nada. Ao contrário, trouxeram problemas e situações de sofrimento para nós mesmos e para as pessoas ao nosso redor. Muitas pessoas têm verdadeiras travas quanto a isso, não conseguem se perdoar e acabam presas a esses fatos do passado, o que as impede de viver em liberdade numa experiência de amadurecimento.

Aqui, o mais complicado, seja saber lidar com o sentimento de culpa. Deparar-se com consequências ruins que poderiam ser evitadas caso nossas escolhas fossem diferentes faz com que nasça em nós a culpa, o arrependimento, o que muitas vezes não é simples de administrar. Quando a pessoa não consegue lidar com esse tipo de situação, não consegue perdoar a si mesma pelos erros cometidos, adotando uma postura de carrasco de si mesma. Pode ser que manter-se assim seja uma tentativa até mesmo inconsciente de punir a si mesma pelos seus erros, mas podemos questionar se esse tipo de atitude tem algum potencial para trazer benefícios para si. Acreditamos que não, agindo assim a pessoa só conseguirá cada vez mais sentir pena de si mesma e se condenar, mantendo-se sempre numa posição inferiorizada e desvalorizada.

O fato é que todos erramos. Todos temos momentos inconsequentes, egoístas, impulsivos. E negar-se a conceder o perdão a si mesmo não vai mudar o que passou, nem amenizar o que de ruim pode ter sido gerado. É preciso deparar-se com os próprios erros de forma amadurecida e equilibrada. Tanto a negação dos próprios erros quanto a absolutização deles são prejudiciais. É necessário permitir-se enxergar os próprios deslizes, ao mesmo tempo em que torna-se hábil para fazer as pazes consigo mesmo. Esse é um dos segredos do equilíbrio e da leveza.

Gabriela Neves

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Evitar justificativas


O texto de hoje falará sobre um aspecto muito delicado para muitos: as famosas justificativas. É verdade que muitas pessoas têm um hábito bastante arraigado de justificar as próprias ações e atitudes a todo momento; essas pessoas têm grande facilidade de expor motivos e desculpas para dar razão à maneira com que lidam com as situações da vida, muitas vezes querendo se isentar de assumir a responsabilidade pelas suas atitudes.

O fato é que viver se justificando para as pessoas é um gesto que prejudica o processo de amadurecimento pessoal em largas escalas. A pessoa madura tem consciência de seus atos e das consequências deles e não tem problemas em admitir que errou e reparar seus deslizes. Por outro lado, a pessoa imatura a todo momento procura convencer a si mesma e aos outros de sua inocência perante seus atos, como se estivesse procurando manter uma imagem imaculada de si mesmo. Talvez essa pessoa não se permita errar, e quando isso acontece, tem grande dificuldade de lidar com a situação.

Não estamos aqui dizendo que em nenhuma situação da vida as justificativas se fazem necessárias. O problema é quando elas se tornam o procedimento padrão. É muito difícil conviver com alguém que é incapaz de perceber os próprios erros e a todo momento coloca a responsabilidade de seus atos em outras pessoas ou em outras situações. Além de causar grande perturbação ao seu redor, elas mesmas se mantém num estado de infantilidade perante a vida. É importante avaliar-se sempre nesse quesito, com a consciência de que só cresce aquele que está disposto a encarar a própria verdade, sem procurar por justificativas que atenuem a própria realidade.

Gabriela Neves

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Será que as pessoas são como VOCÊ imagina?


Agora vamos retomar o assunto que estávamos tratando anteriormente: as atitudes que contribuem para RESSIGNIFICAR A VIDA. E a atitude sobre a qual vamos refletir hoje é abrir-se para novos conceitos sobre si mesmo e sobre os outros.

Ao longo da vida,vamos construindo vários conceitos sobre tudo aquilo que nos circunda, e não acontece diferente com o que pensamos sobre as pessoas e sobre nós mesmos. As experiências que temos ao longo da nossa história vão como que desenhando para nós uma imagem de quem são as pessoas, e essa imagem muitas vezes tende a permanecer congelada, imutável. Quando isso acontece, nós enquadramos as pessoas e a nós mesmos dentro de uma definição que restringe a complexidade das relações e das particularidades, e isso afeta nosso jeito de encarar a vida..

Nem sempre esses conceitos que vamos criando correspondem fielmente à realidade. Eles são muito mais carregados de nossa visão pessoal sobre as pessoas do que realmente de uma visão realista a respeito delas. O problema é que fechar-se na visão pessoal que temos sobre os outros e sobre nós mesmos nos impede de lançar um olhar mais profundo sobre quem realmente somos. E permanecer nessa visão superficial faz com que nunca seja possível enxergar as pessoas de uma forma nova, não porque elas sejam de fato como pensamos que são, mas porque preferimos enxergá-las assim.

O fato é que cada pessoa é muito mais densa, complexa e surpreendente do que imaginamos. Quando se tem abertura para enxergá-las assim, muitos processos fechados e trancafiados no nosso interior têm condições de serem retomados e reavaliados. Dar oportunidade a si mesmo de enxergar as pessoas de uma forma nova, percebendo aspectos que antes não eram notados só tem a contribuir, pois ver as pessoas de uma maneira diferente dá base para ver a própria vida sob um novo ponto de vista. E isso é RESSIGNIFICAR A VIDA!

Gabriela Neves

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Suicídio ... o que você precisa saber?


Iremos dar uma pausa na sequencia de textos que temos trazido para refletirmos sobre outro tema muito importante. O mês de setembro é chamado setembro amarelo mês dedicado à prevenção ao suicídio.

O tema do suicídio trás consigo uma série de conotações ao imaginário da maior parte das pessoas, pensa-se muito que quem se suicida é fraco, não tem fé, buscou o caminho mais fácil de resolver o problema, não pensa na família, enfim são muitos os mitos que rondam a realidade do suicídio. Por isso, o mais importante hoje é que nos atentemos à necessidade de falar sobre esse tema.

Por muitas vezes a pessoa que se suicida busca, na verdade, interromper um ciclo de sofrimento intenso que ela não consegue lidar. Aqui é importante estarmos alerta à realidade da depressão, de uma tristeza intensa e até mesmo da falta de sentido na vida, essas pessoas tornam-se propensas ao suicídio, pois só enxergam a possibilidade de continuarem vivendo se essa parte delas que tanto sofre, for exterminada. No entanto, não tem como tirar somente uma parte da própria realidade e assim essas pessoas acabam tirando a própria vida, muito mais com a intenção de se livrarem desse intenso sofrimento.

Então, é necessário falar sobre a depressão, sobre o sofrimento humano, não como uma frescura ou fraqueza, mas como uma realidade de vida para algumas pessoas que precisam de ajuda para lidarem com essa temática. Profissionais de saúde, família, amigos, comunidade, todos precisam se envolver para darem suporte às pessoas que estão vivenciando isso.

Apoio à família que tem um membro que se suicidou também é fundamental, afinal, pode surgir daí sentimentos de culpa diante da ação do suicida. Porém, ninguém é verdadeiramente culpado, pois aprendemos desde cedo o quanto o diálogo é difícil, assim não nos acostumamos em falar sobre os problemas, maiores ou menores, o silêncio acaba sendo um refúgio. Mas, ele não é a solução, é preciso falar, é preciso dialogar sobre os sofrimentos para se obter ajuda adequada.

Então, fale sobre isso. Seja em casa com os adolescentes, jovens, seja no trabalho, na escola ou faculdade. Falar sobre o sofrimento humano pode ser um caminho seguro para prevenir o suicídio.

Lia Flávia Salviano

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Abertura para questionar-se


No processo de RESSIGNIFICAR A VIDA, muita coisa é colocada em xeque. É comum que a pessoa que trilha esse caminho se depare com questionamentos, dilemas e situações que vão confrontar muitos dos conceitos e opiniões que já estavam formados e consolidados até então. É necessário que se tenha abertura para viver essa realidade de deparar-se com uma visão nova sobre a própria vida e sobre si mesmo, e para que isto aconteça é necessário que haja disponibilidade para questionar-se.

Questionar-se é sempre um exercício válido. Refletir a respeito da própria história, com suas certezas, escolhas e opções faz com que a pessoa se aproprie com mais responsabilidade de seus processos e decisões. Quem não se dá o direito de questionar a si mesmo muitas vezes se vê incapaz de se lançar no novo e acaba permanecendo sempre no mesmo lugar. Por várias vezes, isso faz com que as decisões tomadas até então acabem sendo levadas em frente apenas por costume, inércia. Quando há abertura para questionar-se, há sempre oportunidade de rever e retomar as motivações que levaram a fazer determinadas opções e não outras. Como consequência, o sentido da própria vida é sempre renovado e fortalecido.

Nem sempre é fácil abrir a própria vida para questionamentos, mas é uma atitude que definitivamente contribui para se ter um olhar novo sobre si mesmo. Não estamos aqui querendo dizer que nada na vida é definitivo e que tudo deve ser passível de mudanças. Estamos dizendo que manter as decisões e a visão da própria vida sempre engessadas não contribui para se viver responsavelmente, pois impossibilita, à medida que se passa o tempo, de se entrar em contato com o sentido que as coisas tem para nós, e onde não se enxerga sentido, não há entrega plena e realização.

Gabriela Neves

terça-feira, 5 de setembro de 2017

É necessário revisitar o passado


Há pouco tempo, iniciamos um ciclo de textos que dizem respeito a algumas atitudes que contribuem para o processo de ressignificação da vida. Na semana passada, falamos sobre a coragem para enxergar-se. O tema de hoje está bastante relacionado ao tema da semana passada, e traz um elemento muito importante para que cada um possa ter uma imagem mais clara e acertada de si; estamos falando de RECORDAR O PASSADO.

RECORDAR O PASSADO é uma atitude que favorece o processo de ressignificação da vida porque é necessário revisitar os fatos ocorridos para que seja possível desenvolver um olhar diferente a respeito das próprias experiências. É ter a ousadia de fazer a retrospectiva da própria história, não como mero expectador, mas entrando em contato com tudo o que envolve os acontecimentos: o contexto, os sentimentos, as sensações.... e a partir disso, ser capaz de enxergar o que antes não se conseguia ver e então trazer novos significados para tudo o que se passou.

Ser responsável e íntegro no presente requer uma relação sadia com o passado. Enquanto o passado tiver um sentido de assombro, de peso ou de irrelevância, muitos aspectos da vida permanecerão paralisados. Com toda certeza, a tarefa de se relacionar satisfatoriamente com o passado não é fácil nem pode ser realizada por completo, pois sempre teremos áreas da nossa história a serem revisitadas e ressignficadas. Porém, é um processo cujo início é inadiável e de extrema importância, já que muitos aspectos do presente podem ser compreendidos à luz do que se passou.

Gabriela Neves

terça-feira, 29 de agosto de 2017

A coragem para enxergar-se



Enxergar a si mesmo é um ato desafiador, há uma tendência em nós de naturalmente olharmos aquilo que é negativo e superficial e nos paralisarmos diante disso, julgando que essas características percebidas nos definem.

Mas a nossa proposta é justamente o contrário, cada pessoa deve ter um olhar mais profundo sobre si mesma, não se pode dar por satisfeita ao olhar esses aspectos superficiais e acreditar que não há mais o que conhecer. Na verdade, é preciso ir além desses pontos, pois é natural que haja desânimo diante deles, no entanto você é mais do que características ruins.

Aqui está a necessidade e a importância da coragem para enxergar-se, pois ao pararmos diante desses pontos negativos ou da opinião das pessoas sobre você, haverá uma grande perda: perderá a oportunidade de conhecer-se verdadeiramente. Então, encare a realidade de exergar-se como um desafio a ser vencido e por isso pede a você uma postura de coragem.

Entenda coragem como sinônimo de enforço, de luta, de determinação e não somente de força, às vezes, você está passando uma fase cheia de fraquezas, mas esta não é empecilho para lançar-se nessa aventura de enxergar-se como realmente é. Então, permita-se vivenciar essa experiência que pode ser muita rica para você, pode trazer muitas respostas e também auxiliar você a amadurecer no entendimento de sua própria realidade. Isso é muito bom, não é verdade?

Lia Flávia Salviano

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Atitudes que contribuem para RESSIGNIFICAR a VIDA

Hoje iniciamos um novo ciclo de textos que irá apontar quais atitudes podemos adotar para que seja possível fazer uma ressignificação da própria vida. Vale a pena recordar sobre o que estamos falando quando propomos o caminho de ressignifacar a própria história. É um processo para revisitar de fatos, acontecimentos, sensações, sentimentos e vivências que proporciona uma releitura do que aconteceu.

Isso torna possível enxergar aspectos que antes não eram vistos e dar novo significado e sentido ao que se passou, mesmo para aqueles fatos difíceis e dolorosos. Nem sempre é um caminho fácil a percorrer, mas certamente os efeitos dessa aventura valerá o esforço despendido.

O processo de ressignificação da vida de forma alguma é passivo, inerte. Ao contrário, exige daquele que se propõe a essa experiência uma postura de esforço, dedicação, coragem e firmeza. Nem sempre é fácil rever a própria história e se permitir a entrar em contato com toda aquela carga de fatos e experiências. É preciso fazê-lo em liberdade, desafiando-se a cada passo a ser dado.

Existem algumas atitudes que contribuem para que todo esse processo seja possível. Nas próximas semanas nos dedicaremos a falar sobre cada uma delas. São elas:

Coragem para enxergar-se
Recordar o passado
Abertura para questionar-se
Rever os fatos dolorosos
Abrir-se para novos conceitos sobre si mesmo e sobre os outros
Evitar justificativas
Perdoar-se
Perdoar a quem me feriu
Administrar o que se sente
Abrir-se ao outro
Atribuir sentido à vida

Serão semanas que nos farão refletir sobre cada um desses pontos, bem como avaliar nossas atitudes atuais, a fim de provocar uma autocrítica e mudança de postura, se for o caso. Esperamos poder ajudar por meio dessas reflexões e contribuir para que você veja a vida com outros olhos, de maneira mais livre e cheia de sentido. E então, aceita nosso desafio?

Gabriela Neves

terça-feira, 15 de agosto de 2017

A afetividade equilibrada leva à liberdade

Estamos encerrando nosso ciclo de textos sobre afetividade. Por essas semanas, refletimos sobre o que é afetividade, as formas de desequilíbrio e como amadurecer essa área de nossas vidas. Tivemos a oportunidade de muitas vezes nos questionar e nos enxergar nos textos que foram postados ao longo dessas semanas, sempre provocando uma reflexão sobre nossas atitudes perante o que sentimos e vivenciamos. Mas ainda há uma coisa importante a ser falada: quando a afetividade é ordenada, podemos viver com maior liberdade interior.

De fato, não podemos escolher o que sentimos. Os sentimentos simplesmente surgem, e não há muito o que se possa fazer a esse respeito. Porém, isso não significa que estamos de mãos atadas. Apesar de não escolher quais sentimentos devem emergir em cada situação, a pessoa equilibrada afetivamente se vê livre para fazer escolhas perante o que sente. Essa é a chave para uma vida madura e íntegra. Embora tenha sentimentos que me causam sofrimento, ainda sim tenho escolhas perante eles; não são determinantes no meu modo de agir.

Sendo assim, não é porque estou com raiva que tenho que agredir alguém, não é porque estou triste que tenho que me isolar, não é porque tenho medo que devo fugir. Apesar da raiva, tristeza e medo, ainda posso escolher como reagir diante da situação.

É possível agir com equilíbrio e consciência apesar dos sentimentos que se tem. Isso se chama liberdade interior! Obviamente, é um exercício que exige esforço e dedicação... mas como a vida se torna mais leve e plena quando a pessoa faz essa experiência!

E você, pode se dizer livre na sua afetividade?

Gabriela Neves

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Reordenando a afetividade

Quando se trata de afetividade, todos temos questões a serem resolvidas. Nos textos anteriores do nosso blog, tratamos das principais dificuldades em lidar com os próprios sentimentos (se você não acompanhou esses textos, recomendamos a leitura). O fato é que todos nós somos, em algum grau, carentes,imaturos, inconsequentes e negligentes com nossa afetividade. Portanto, todos precisamos trabalhar o campo dos afetos, é uma atitude de apreço para consigo mesmo, pois torna possível viver de forma mais plena, livre e responsável.

O primeiro passo é sempre constatar o que está desordenado. É ter coragem de olhar o que não está bem, tocar as feridas existentes e enxergar a própria realidade. Nem sempre é algo simples a se fazer, mas extremamente necessário. A partir dessa constatação, é possível dar um significado novo aos fatos da prórpria história de vida. Esse processo é como um renascimento: aquilo que antes era uma ferida aberta, pode ganhar um novo sentido e tornar-se uma experiência que fortalece, impulsiona e amadurece.

Olhar para si e reorganizar a própria desordem é um processo que torna possível a mudança daquilo que antes já se tinha como determinante na vida. Muitas vezes determinamos quem somos, o que somos capazes de fazer ou não, quem são as pessoas ao nosso redor, quais situações que não são capazes de modificar... mas muitas dessas determinações nascem simplesmente da falta de abertura para tocar os próprios sentimentos e a história pessoal. Quando fazemos a experiência de ressignificar a vida, muitos dos nossos conceitos caem por terra e muitas das coisas que julgávamos sedimentadas e definitivas podem ganhar novos rumos. Só temos a ganhar!

Gabriela Neves

terça-feira, 25 de julho de 2017

Negando os sentimentos

Nem sempre é fácil lidar com os sentimentos que surgem a partir das situações da vida. Muitas vezes, nos deparamos com dores, angústias, medos e tristezas e nem sempre estamos dispostos a encarar isso. O mais fácil a se fazer nesses casos é ignorar os sentimentos que aparecem e, como se diz, “varrer as experiências para debaixo do tapete”, o que gera resultados desastrosos na grande maioria das vezes, mais cedo ou mais tarde.

Negar os próprios sentimentos, ou ignorar as situações vividas é uma atitude negligente consigo mesmo e com as pessoas que estão ao redor pois, a partir do momento em que nos recusamos a encarar a nossa realidade, por mais dura que seja, estamos também nos esquivando de amadurecer o que sentimos e de tomar novos rumos em direção a uma vida mais consciente, íntegra e responsável.

A verdade é que nem sempre é fácil lidar com os sentimentos que nascem em nós. Muitas vezes é mais cômodo deixar tudo como está e simplesmente prosseguir com a própria vida. Porém, isso não passa de ilusão. Quem não tem coragem de enfrentar suas áreas obscuras e sombrias acaba virando refém das situações e dos próprios sentimentos, pois não aprendeu a lidar consigo mesmo. E é claro que as consequências disso não poderiam ser positivas. É preciso ter ousadia e disposição para enfrentar a si mesmo, confrontar-se e amadurecer. Esse é o trajeto da ressiginificação da vida.

Gabriela Neves

terça-feira, 18 de julho de 2017

A imaturidade afetiva

Já observou o comportamento de uma criança pequena quando quer alguma coisa? Geralmente, ela chora, grita, se joga no chão porque quando ela quer algo, tem que ser naquele instante, ela não pode esperar. Isso porque é próprio do comportamento infantil requisitar tudo para si, pois a criança acredita que o mundo está centrado nela mesma. A pessoa imatura afetivamente segue esse mesmo padrão de comportamento; quer tudo para si e, na ilusão dela, tudo se trata dela mesma.

O imaturo caracteriza-se por uma afetividade egocêntrica e instável, atrai todos para si e sente necessidade de ditar as diretrizes e regras. O grande problema da imaturidade afetiva é a incapacidade de renúncia, de diálogo, de entrar em acordo com outra pessoa. O imaturo somente consegue enxergar a realidade sob a perspectiva do que é bom para si mesmo, e abrir mão disso parece ser impossível para ele.

Tudo isso faz com que, aos poucos, as pessoas se afastem do convívio de quem é imaturo e ele, muitas vezes sem compreender a razão, vive a queixar-se da solidão que ele mesmo provocou por falta de capacidade de renúncia. A questão é que o imaturo tem muitas questões que geram sofrimento: ele desconhece as raízes de sua condição, afasta as pessoas de si e acaba sozinho.

É possível desenvolver um trabalho psicológico com essas pessoas quando há liberdade e disponibilidade para tal. O fato é que ninguém precisa permanecer nessas condições, basta abertura para tocar no que é necessário.

Gabriela Neves

terça-feira, 11 de julho de 2017

A carência afetiva

Se consultarmos o dicionário, podemos encontrar alguns sinônimos para a palavra carência: escassez, privação, ausência, falta, entre outros. A carência afetiva nasce a partir de uma necessidade de amor que não foi atendida em algum momento de nossa existência. Todas as pessoas precisam receber amor ao longo de suas vidas, desde a mais tenra infância até à velhice. Quando esse amor nos é negado de alguma maneira, é gerado em nós um vazio que causa dor e marca a história, e é esse vazio que vamos chamar de carência afetiva.

Todos nós, em maior ou menor grau, já experimentamos a carência afetiva, ela faz parte da vida de todos nós, em formas diferentes. Alguns conseguem lidar bem com suas carências: sentem a dor e a superam, progredindo em maturidade e autonomia. Porém, algumas pessoas permanecem como que fixadas em suas carências, e é aí onde mora o problema.

Essas pessoas geralmente desenvolvem relacionamentos complexos e possessivos, exigem do outro exclusividade, roubando a liberdade de todos os envolvidos. Aos poucos, vão desenvolvendo um certo vício da outra pessoa, uma grande dependência. O resultado de levar a vida assim é que a própria felicidade vai se condicionando a outra pessoa e, assim, parece ser impossível ser feliz sem a presença e o convívio com aquele de quem se desenvolveu a dependência.

Essas pessoas precisam de ajuda para sair dessa prisão sentimental. Um trabalho psicológico é fundamental para que elas consigam se perceber enquanto pessoas, identificar aquilo que as ferem e reorientar seus sentimentos em relação a si mesmas e aos outros. Você conhece alguém assim? Nós podemos ajudar. Entre em contato conosco!

Gabriela Neves

terça-feira, 4 de julho de 2017

Afetividade: constatando a desordem

Quando o assunto é afetividade, é muito comum nos depararmos com um campo desordenado e muitas vezes até abandonado. É impressionante a dificuldade que muitas vezes temos para trabalhar os próprios sentimentos, e esse entrave acaba ecoando em todas as áreas de nossas vidas. O resultado é um sofrimento gerado na vida da própria pessoa, que atinge sua autoestima e também seus relacionamentos.

Essa desordem na área afetiva não é construída da noite para o dia, como um acidente repetino que faz a pessoa perder a habilidade em lidar com seus sentimentos. Antes, é algo que se compõe a partir da própria história de vida; numa sequência de fatos que marcam o passado.

A pessoa vai progressivamente alterando sua forma de perceber seus sentimentos, e os caminhos que cada um escolhe para isso podem ser os mais diversos. A questão é que, com a história pessoal ferida, podemos nos perder no labirinto do que sentimos, do que recordamos e do que fazemos com tudo isso.

Nem sempre, é fácil constatar a própria desordem afetiva. Aliás, na maior parte das vezes, é um processo bastante trabalhoso e até doloroso. Porém, não enxergar a desordem faz com que ela nunca seja encarada e reorganizada, e isso não contribui para o crescimento pessoal.

À medida em que vamos tomando consciência do que em nós está fora de lugar, nos tornamos aptos a trabalhar nossas questões interiores, gerando equilíbrio, amadurecimento e responsabilidade com a própria vida.

Gabriela Neves

terça-feira, 27 de junho de 2017

E a afetividade, como vai?

Vivemos em um tempo onde todos estão sempre ocupados, com pressa, atarefados e cansados. Essa atmosfera não é favorável para que tenhamos a adequada atenção aos nossos processos e, cada vez mais, as pessoas sofrem enquanto correm de um lado para outro num ritmo frenético, muitas vezes sem perceber o que de fato está acontecendo com a própria vida. A AFETIVIDADE é uma das áreas mais afetadas por essa falta de consciência de si.

A AFETIVIDADE é o conjunto de fenômenos psíquicos experimentados e vivenciados na forma de emoções e sentimentos e, por isso, constitui uma realidade de extrema importância para a vida de qualquer um de nós. Existem pessoas que são negligentes com a sua AFETIVIDADE, e isso as torna superficiais, imaturas, instáveis, sendo facilmente dominadas pelos sentimentos e emoções. À medida em que cada um de nós vai alargando sua percepção acerca de sua afetividade, vamos também nos tornando mais inteiros, íntegros e capazes de assumir com responsabilidade nossas vidas.

Nossos sentimentos dizem muito sobre a maneira como vemos a nós mesmos, aos outros e ao mundo, e por isso constituem uma faceta importante na nossa autoestima e na estima que nutrimos em relação com quem convivemos. É necessário um trabalho árduo e sério em relação ao que sentimos; isso faria um grande bem a nós mesmos e às pessoas que estão ao nosso redor. Aquelas pessoas que vivem bem com seus sentimentos vivem em paz consigo mesmas e tornam o ambiente que vivem mais agradável e equilibrado; porém tudo isso começa dentro de cada um de nós. Ou seja, é de responsabilidade de cada um trazer esse equilíbrio para a própria vida e refletir essa harmonia para os que estão ao seu lado.

E você, como está convivendo com seus sentimentos e emoções? Quais tem sido os reflexos da sua afetividade no ambiente em que você vive e nas pessoas ao seu lado?

Gabriela Neves

terça-feira, 20 de junho de 2017

Porque fazer-se de vítima não é uma boa opção

Olhar a própria vida requer coragem. Não é fácil recordar e reviver situações que nos causam dor e que, se pudéssemos, apagaríamos da nossa memória. O processo de ressignificar a vida necessariamente precisa passar pela lembrança dos fatos do passado e pelo contato com toda a carga emocional que tais fatos deixaram em nós e que ainda está latente. Não é raro acontecer de, ao entrar em contato com fatos dolorosos causados pelas atitudes alheias, a pessoa que passa por esse processo de recordar e reviver se coloque numa atitude de passividade perante a dor, julgando-se vítima da maldade do outro. Ao ver-se vítima de outra pessoa e das ocasiões, os fatos lhe parecem definitivamente resolvidos, dando a impressão de que seu esforço por dar um novo sentido ao que passou seja inútil, ou mesmo impossível. Porém, essa visão não corresponde à realidade; é limitadora e aponta para uma atitude resistente frente ao árduo trabalho de ver a própria vida com outros olhos para então lançar-se no projeto de um futuro qualitativamete diferente do presente sofrido.

Mas, afinal, o que realmente quer a vítima? O que essa maneira de agir perante os acontecimentos nos diz sobre suas intenções?

Podemos dizer que, consciente ou inconscientemente, a vítima quer compaixão ou a vítima quer DESRRESPONSABILIZAR-SE, ou até mesmo ambas as coisas. A vítima procura provocar compaixão nas pessoas ao seu redor quando insistentemente mostra sua dor, enfatiza a injustiça sofrida e a cada momento relembra os abondonos que viveu. Está sempre contando e recontando o quanto sua vida foi e é difícil, basta perceber a menor brecha para isso. Provocar comoção nas pessoas, no fundo, é uma tentativa de encontrar em alguém o acolhimento e o conforto que julga não ter encontrado até então; é por isso uma atitude movida por carências vivas e que causam sofrimento. Porém, agir assim não contribui nem para uma visão positiva de si mesmo, nem para uma posição ativa perante a vida; a pessoa permanece estática, imóvel perante sua dor e sua própria existência. Também é possível perceber que a vítima procura desresponsabilizar-se, pois ao delegar sempre a outra pessoa o protagonismo do que viveu, isenta a ela mesma de se responsabilizar pelos momentos ruins ou pelas metas que não foram alcançadas. Essa é uma maneira de se sentir confortável dentro das próprias frustrações, tendo em vista que se a responsabilidade não é atribuída a si próprio, o esforço da mudança se faz desnecessário.

Com isso, não queremos dizer que a culpa de todos os males experimentados recai sobre a pessoa que os vivenciou; pois existem sofrimentos que de fato são provocados pelas atitudes de um outro.

Estamos dizendo é que a forma com que se enxerga os episódios dolorosos da vida e as atitudes que serão tomadas perante eles e as pessoas envolvidas é que são de responsabilidade de cada um. É possível fazer escolhas, dar sentido e significado novo aos acontecimentos e agir de forma livre perante todo fragmento doloroso da nossa existência. Mas, para que isso aconteça, é preciso deixar o lugar de vítima e assumir uma atitude responsável pela própria história, e isso trará amadurecimento e tornará possível ter esperança no amanhã.

Gabriela Neves

terça-feira, 13 de junho de 2017

Atitude responsável e saudável perante a vida presente e futura

Reviver experiências

Dar novo sentido e significado a experiências

Passado é página definitivamente virada

Releitura da própria história

Olhar livre a respeito de si mesmo

Esse jogo de palavras é no mínimo interessante e intrigante. Por vezes, é natural em nossa cultura e forma de levar a vida, deixar o que passou para trás e não mais nos inquietarmos com o passado. A expressão “o que passou, passou” ou ainda “o que fiz não tem como consertar”, dão um sentido de fatalismo e estagnação ao passado que não são próprios dele. Por isso, propomos uma reflexão verdadeira acerca dessa realidade!

A proposta de ressignificar a vida precisa ser encarada como uma experiência que produz autoconhecimento e leva a pessoa a vivência de liberdade, dando a possibilidade de escolhas mais condizentes com o que pensa e acredita, ou seja, com aquilo que tem sentido para si mesma. Proporciona opções livres e responsáveis com a sua própria vida e com a do outro, faz com que a pessoa não fique fechada somente em si, mas tenha entendimento das consequências de suas ações na vida do outro também.

Mas aí você para e pensa: como posso fazer isso? É interessante como temos dificuldades de encontrar essas respostas, no consultório elas são muito comuns, às vezes com a intenção de entender melhor, mas às vezes com o anseio por uma resposta pronta, uma receita, uma fórmula. Felizmente, não farei isso com você. Mas vamos pensar juntos?

Um método que pode ser usado é o simples exercício de reflexão: parar para pensar sobre si, sobre sua realidade, e refletindo fazer algumas anotações para compreender melhor o que se passa nos seus pensamentos. Verdade que é simples, mas você já percebeu o quanto hoje é difícil pararmos para cuidar de nós mesmos? Diante de tantas atividades, responsabilidades e compromissos, parar para pensar na vida talvez fique em último plano. Por isso, vamos, por muitas vezes, agindo como expectadores da nossa história e ter com ela uma atitude responsável é mais difícil.

Então... Vamos pegar papel, caneta e uns bons minutos do seu dia para olhar para a sua própria vida? Tente fazer isso, experimente um novo olhar, uma nova experiência com você mesmo e acredite isso pode te ajudar sim a perceber a vida de uma maneira nova.

Bom trabalho!

Lia Flávia Salviano

terça-feira, 6 de junho de 2017

Para dar um novo segnificado à vida

Primeiro texto do nosso blog! Para nós, é uma alegria muito grande o início desse trabalho de escrita e discussão sobre uma realidade provocadora e necessária na vida de toda pessoa: a ressignificação da própria história de vida. Nosso objetivo com esse espaço é levar o leitor a uma série de reflexões sobre a própria vida, seu caminho para felicidade e os desafios que podem ofuscar o conhecimento real de si mesmo, tornando-se obstáculos para que se viva com maturidade e responsabilidade. Também abordaremos assuntos relevantes à saúde mental afim de contribuir para a compreensão dessa realidade, bem como apontar possíveis estratégias para prevenir e solucionar eventuais comprometimentos nesse âmbito.

Mas, voltando ao tema central do nosso texto e do nosso blog, o que quer dizer ressignificar a vida? Você já teve a experiência de ler um mesmo livro mais de uma vez? Geralmente, quando isso acontece, a releitura nos atenta para dados que passaram despercebidos na primeira vez que o livro foi lido. Conseguimos captar detalhes que não foram notados, compreender melhor o ponto de vista do autor, memorizar trechos importantes e, consequentemente, nosso entendimento daquele texto se amplifica e maximiza. É possível fazer esse paralelo com o processo de ressignificação da vida. Podemos definir esse processo como uma releitura da própria história, passando por momentos agradáveis e dolorosos, revivendo experiências e dando a cada uma delas um novo sentido e significado. Nosso passado, ao contrário do que se diz, não é uma página definitivamente virada. Não é uma peça de museu estática, sem vida. Nós o trazemos conosco a cada instante, como elemento atuante e ativo no nosso presente. A pessoa que somos, o modo com que nos portamos, nossa forma de pensar e agir, nossa capacidade de se relacionar, tudo está de alguma forma influenciado por nossas experiências vividas anteriormente. Porém, cada uma dessas experiências pode ser revivida e percebida de uma forma nova, com um sentido novo que produza na pessoa a capacidade de tomar uma atitude responsável e saudável perante sua vida presente e seu futuro.

Mesmo a mais cruel das histórias, cheia de dor e desamor, pode ser ressignificada a partir de um ponto de vista diferente, de um olhar livre a respeito de si mesmo e daqueles que foram marcantes em sua história. A partir dessa nova forma de olhar os acontecimentos, é possível se libertar de uma maneira autodestrutiva de levar a vida, arrastando lembranças traumáticas e outros pesos que dificultam a caminhada e nos prendem sempre num mesmo lugar. É possível traçar rumos novos, com liberdade para seguir em frente e escrever uma nova história, diferente daquela a que os episódios dolorosos e não ressignificados naturalmente conduzem.

Iniciamos aqui, então, uma longa viagem por assuntos que podem ajudar o leitor a refletir na necessidade da experiência de ressignigicar a sua vida, com uma atenção especial à própria saúde mental. Esperamos que você aceite nossa proposta e venha conosco nesse desafio. Vamos juntos?

Gabriela Neves

terça-feira, 30 de maio de 2017

AGUARDE!!!

Nossa primeira postagem será dia 06 de junho

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