terça-feira, 27 de junho de 2017

E a afetividade, como vai?

Vivemos em um tempo onde todos estão sempre ocupados, com pressa, atarefados e cansados. Essa atmosfera não é favorável para que tenhamos a adequada atenção aos nossos processos e, cada vez mais, as pessoas sofrem enquanto correm de um lado para outro num ritmo frenético, muitas vezes sem perceber o que de fato está acontecendo com a própria vida. A AFETIVIDADE é uma das áreas mais afetadas por essa falta de consciência de si.

A AFETIVIDADE é o conjunto de fenômenos psíquicos experimentados e vivenciados na forma de emoções e sentimentos e, por isso, constitui uma realidade de extrema importância para a vida de qualquer um de nós. Existem pessoas que são negligentes com a sua AFETIVIDADE, e isso as torna superficiais, imaturas, instáveis, sendo facilmente dominadas pelos sentimentos e emoções. À medida em que cada um de nós vai alargando sua percepção acerca de sua afetividade, vamos também nos tornando mais inteiros, íntegros e capazes de assumir com responsabilidade nossas vidas.

Nossos sentimentos dizem muito sobre a maneira como vemos a nós mesmos, aos outros e ao mundo, e por isso constituem uma faceta importante na nossa autoestima e na estima que nutrimos em relação com quem convivemos. É necessário um trabalho árduo e sério em relação ao que sentimos; isso faria um grande bem a nós mesmos e às pessoas que estão ao nosso redor. Aquelas pessoas que vivem bem com seus sentimentos vivem em paz consigo mesmas e tornam o ambiente que vivem mais agradável e equilibrado; porém tudo isso começa dentro de cada um de nós. Ou seja, é de responsabilidade de cada um trazer esse equilíbrio para a própria vida e refletir essa harmonia para os que estão ao seu lado.

E você, como está convivendo com seus sentimentos e emoções? Quais tem sido os reflexos da sua afetividade no ambiente em que você vive e nas pessoas ao seu lado?

Gabriela Neves

terça-feira, 20 de junho de 2017

Porque fazer-se de vítima não é uma boa opção

Olhar a própria vida requer coragem. Não é fácil recordar e reviver situações que nos causam dor e que, se pudéssemos, apagaríamos da nossa memória. O processo de ressignificar a vida necessariamente precisa passar pela lembrança dos fatos do passado e pelo contato com toda a carga emocional que tais fatos deixaram em nós e que ainda está latente. Não é raro acontecer de, ao entrar em contato com fatos dolorosos causados pelas atitudes alheias, a pessoa que passa por esse processo de recordar e reviver se coloque numa atitude de passividade perante a dor, julgando-se vítima da maldade do outro. Ao ver-se vítima de outra pessoa e das ocasiões, os fatos lhe parecem definitivamente resolvidos, dando a impressão de que seu esforço por dar um novo sentido ao que passou seja inútil, ou mesmo impossível. Porém, essa visão não corresponde à realidade; é limitadora e aponta para uma atitude resistente frente ao árduo trabalho de ver a própria vida com outros olhos para então lançar-se no projeto de um futuro qualitativamete diferente do presente sofrido.

Mas, afinal, o que realmente quer a vítima? O que essa maneira de agir perante os acontecimentos nos diz sobre suas intenções?

Podemos dizer que, consciente ou inconscientemente, a vítima quer compaixão ou a vítima quer DESRRESPONSABILIZAR-SE, ou até mesmo ambas as coisas. A vítima procura provocar compaixão nas pessoas ao seu redor quando insistentemente mostra sua dor, enfatiza a injustiça sofrida e a cada momento relembra os abondonos que viveu. Está sempre contando e recontando o quanto sua vida foi e é difícil, basta perceber a menor brecha para isso. Provocar comoção nas pessoas, no fundo, é uma tentativa de encontrar em alguém o acolhimento e o conforto que julga não ter encontrado até então; é por isso uma atitude movida por carências vivas e que causam sofrimento. Porém, agir assim não contribui nem para uma visão positiva de si mesmo, nem para uma posição ativa perante a vida; a pessoa permanece estática, imóvel perante sua dor e sua própria existência. Também é possível perceber que a vítima procura desresponsabilizar-se, pois ao delegar sempre a outra pessoa o protagonismo do que viveu, isenta a ela mesma de se responsabilizar pelos momentos ruins ou pelas metas que não foram alcançadas. Essa é uma maneira de se sentir confortável dentro das próprias frustrações, tendo em vista que se a responsabilidade não é atribuída a si próprio, o esforço da mudança se faz desnecessário.

Com isso, não queremos dizer que a culpa de todos os males experimentados recai sobre a pessoa que os vivenciou; pois existem sofrimentos que de fato são provocados pelas atitudes de um outro.

Estamos dizendo é que a forma com que se enxerga os episódios dolorosos da vida e as atitudes que serão tomadas perante eles e as pessoas envolvidas é que são de responsabilidade de cada um. É possível fazer escolhas, dar sentido e significado novo aos acontecimentos e agir de forma livre perante todo fragmento doloroso da nossa existência. Mas, para que isso aconteça, é preciso deixar o lugar de vítima e assumir uma atitude responsável pela própria história, e isso trará amadurecimento e tornará possível ter esperança no amanhã.

Gabriela Neves

terça-feira, 13 de junho de 2017

Atitude responsável e saudável perante a vida presente e futura

Reviver experiências

Dar novo sentido e significado a experiências

Passado é página definitivamente virada

Releitura da própria história

Olhar livre a respeito de si mesmo

Esse jogo de palavras é no mínimo interessante e intrigante. Por vezes, é natural em nossa cultura e forma de levar a vida, deixar o que passou para trás e não mais nos inquietarmos com o passado. A expressão “o que passou, passou” ou ainda “o que fiz não tem como consertar”, dão um sentido de fatalismo e estagnação ao passado que não são próprios dele. Por isso, propomos uma reflexão verdadeira acerca dessa realidade!

A proposta de ressignificar a vida precisa ser encarada como uma experiência que produz autoconhecimento e leva a pessoa a vivência de liberdade, dando a possibilidade de escolhas mais condizentes com o que pensa e acredita, ou seja, com aquilo que tem sentido para si mesma. Proporciona opções livres e responsáveis com a sua própria vida e com a do outro, faz com que a pessoa não fique fechada somente em si, mas tenha entendimento das consequências de suas ações na vida do outro também.

Mas aí você para e pensa: como posso fazer isso? É interessante como temos dificuldades de encontrar essas respostas, no consultório elas são muito comuns, às vezes com a intenção de entender melhor, mas às vezes com o anseio por uma resposta pronta, uma receita, uma fórmula. Felizmente, não farei isso com você. Mas vamos pensar juntos?

Um método que pode ser usado é o simples exercício de reflexão: parar para pensar sobre si, sobre sua realidade, e refletindo fazer algumas anotações para compreender melhor o que se passa nos seus pensamentos. Verdade que é simples, mas você já percebeu o quanto hoje é difícil pararmos para cuidar de nós mesmos? Diante de tantas atividades, responsabilidades e compromissos, parar para pensar na vida talvez fique em último plano. Por isso, vamos, por muitas vezes, agindo como expectadores da nossa história e ter com ela uma atitude responsável é mais difícil.

Então... Vamos pegar papel, caneta e uns bons minutos do seu dia para olhar para a sua própria vida? Tente fazer isso, experimente um novo olhar, uma nova experiência com você mesmo e acredite isso pode te ajudar sim a perceber a vida de uma maneira nova.

Bom trabalho!

Lia Flávia Salviano

terça-feira, 6 de junho de 2017

Para dar um novo segnificado à vida

Primeiro texto do nosso blog! Para nós, é uma alegria muito grande o início desse trabalho de escrita e discussão sobre uma realidade provocadora e necessária na vida de toda pessoa: a ressignificação da própria história de vida. Nosso objetivo com esse espaço é levar o leitor a uma série de reflexões sobre a própria vida, seu caminho para felicidade e os desafios que podem ofuscar o conhecimento real de si mesmo, tornando-se obstáculos para que se viva com maturidade e responsabilidade. Também abordaremos assuntos relevantes à saúde mental afim de contribuir para a compreensão dessa realidade, bem como apontar possíveis estratégias para prevenir e solucionar eventuais comprometimentos nesse âmbito.

Mas, voltando ao tema central do nosso texto e do nosso blog, o que quer dizer ressignificar a vida? Você já teve a experiência de ler um mesmo livro mais de uma vez? Geralmente, quando isso acontece, a releitura nos atenta para dados que passaram despercebidos na primeira vez que o livro foi lido. Conseguimos captar detalhes que não foram notados, compreender melhor o ponto de vista do autor, memorizar trechos importantes e, consequentemente, nosso entendimento daquele texto se amplifica e maximiza. É possível fazer esse paralelo com o processo de ressignificação da vida. Podemos definir esse processo como uma releitura da própria história, passando por momentos agradáveis e dolorosos, revivendo experiências e dando a cada uma delas um novo sentido e significado. Nosso passado, ao contrário do que se diz, não é uma página definitivamente virada. Não é uma peça de museu estática, sem vida. Nós o trazemos conosco a cada instante, como elemento atuante e ativo no nosso presente. A pessoa que somos, o modo com que nos portamos, nossa forma de pensar e agir, nossa capacidade de se relacionar, tudo está de alguma forma influenciado por nossas experiências vividas anteriormente. Porém, cada uma dessas experiências pode ser revivida e percebida de uma forma nova, com um sentido novo que produza na pessoa a capacidade de tomar uma atitude responsável e saudável perante sua vida presente e seu futuro.

Mesmo a mais cruel das histórias, cheia de dor e desamor, pode ser ressignificada a partir de um ponto de vista diferente, de um olhar livre a respeito de si mesmo e daqueles que foram marcantes em sua história. A partir dessa nova forma de olhar os acontecimentos, é possível se libertar de uma maneira autodestrutiva de levar a vida, arrastando lembranças traumáticas e outros pesos que dificultam a caminhada e nos prendem sempre num mesmo lugar. É possível traçar rumos novos, com liberdade para seguir em frente e escrever uma nova história, diferente daquela a que os episódios dolorosos e não ressignificados naturalmente conduzem.

Iniciamos aqui, então, uma longa viagem por assuntos que podem ajudar o leitor a refletir na necessidade da experiência de ressignigicar a sua vida, com uma atenção especial à própria saúde mental. Esperamos que você aceite nossa proposta e venha conosco nesse desafio. Vamos juntos?

Gabriela Neves